Cris Lauer fala sobre sua saga contra a cassação e revela segredos da Câmara, enquanto mira a Prefeitura de Maringá

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Cris Lauer, ex-vereadora, declarou que a sua destituição da Câmara Municipal de Maringá foi motivada por questões políticas.

Em uma conversa no podcast Ponto a Ponto, promovido pelo veículo Maringá Post, a ex-parlamentar afirmou que o Ministério Público local emitiu um parecer favorável à anulação do seu julgamento. Além disso, ela manifestou sua intenção de concorrer à Prefeitura de Maringá assim que conseguir reverter sua inelegibilidade na Justiça.

Na eleição de 2024, Cris Lauer conquistou 7.531 votos pelo Partido Novo, tornando-se a parlamentar mais votada da história da cidade. Em agosto de 2025, seu mandato foi cassado pela Câmara devido à alegação de quebra de decoro parlamentar, que se baseou no uso de um servidor do gabinete para assuntos pessoais da ex-vereadora.

Durante a entrevista conduzida por Ronaldo Nezo e com produção técnica do VMark Estúdio, Lauer detalhou os acontecimentos que cercaram o seu julgamento e criticou tanto a estrutura legislativa quanto as administrações do município.

Isolamento na Câmara e defesa legal

A ex-vereadora defendeu que os serviços prestados pelo advogado ocorreram fora do expediente da Câmara Municipal e que ela consultou formalmente a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes de iniciar suas atividades. Ela acredita que a recusa em aceitar um acordo inicial com o Ministério Público teve um papel decisivo na aceleração do processo político contra ela.

“O promotor ofereceu um acordo no valor de três mil reais para arquivar o caso. Recusei porque aceitar significaria admitir uma culpa que não existe”, afirmou.

Lauer ressaltou que seu afastamento da maioria na Câmara foi uma escolha consciente para preservar a independência do seu mandato. Ela criticou o funcionamento da Casa, mencionando que as decisões são frequentemente baseadas em barganhas. Apenas os vereadores Rafael Rosa e Daniel Malvezzi mostraram-se alinhados aos seus princípios durante seu tempo no legislativo.

Propostas foram feitas por membros da base governista para mudar seu voto sobre a cassação em troca de apoio à criação de novos cargos comissionados na Câmara.

“A presidente da Câmara me sugeriu que se eu votasse a favor dos novos cargos necessários para cobrir compromissos dela, conversaria com outros vereadores para evitar minha cassação. Recusei, pois o Partido Novo é contra o aumento desnecessário da máquina pública”, explicou.

Interferência política e atuação dos deputados

Lauer relatou ter sido informada por líderes partidários tradicionais dias antes da votação que a cassação já estava decidida pela maioria, independentemente das provas apresentadas pela defesa. Ela mencionou o ex-deputado Ricardo Barros como responsável por essa manobra política, afirmando que ele disse diretamente que sua cassação era necessária porque ela representava um obstáculo para quatro deputados ligados à sua base na região.

Além disso, relatou um incidente no gabinete do prefeito Silvio Barros antes da votação em questão. O prefeito teria feito uma chamada ao líder do governo na Câmara, vereador Luiz Neto, colocando-a em viva-voz na presença dela e da chefe de gabinete.

“Silvio perguntou sobre o status do processo e garantiu que não havia solicitado minha cassação. Luiz Neto respondeu afirmando entender a situação, mas informou que o relator Sidney Telles se reuniria com Ricardo Barros no dia seguinte para discutir meu relatório de cassação. Isso mostra como o processo foi transferido de dentro da Câmara para decisão de um deputado federal”, denunciou.

A ex-parlamentar também criticou vereadores que se opõem ao atual governo apenas após perderem cargos comissionados. Citando Ana Lúcia e Lemuel, Lauer considera esse movimento uma estratégia eleitoral visando futuras candidaturas à Assembleia Legislativa.

Denúncias sobre gestão passada e saúde pública

Cris Lauer teceu críticas ao desempenho do ex-prefeito Ulisses Maia em relação à administração pública e ao cuidado das estruturas municipais e centros esportivos. Durante seu mandato, fez denúncias formais ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR).

Uma das denúncias tratava sobre funcionários fantasmas na Secretaria Municipal de Saúde. Segundo Lauer, essa acusação foi recentemente arquivada pela promotoria sob alegação de não haver prejuízo financeiro ao município.

“A justificativa dada foi de que não houve dano ao erário municipal porque os pagamentos eram provenientes de recursos federais. Contudo, pessoas aposentadas ou já falecidas continuaram sendo pagas. Isso é imoral; simplesmente apagaram os nomes e arquivaram tudo”, criticou.

Em relação à atual administração sob Silvio Barros, Lauer apontou falhas na resolução de problemas básicos enfrentados pela população, como manutenção inadequada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Também criticou as iniciativas comunicativas do prefeito nas redes sociais, afirmando ser necessário implementar soluções efetivas ao invés de focar apenas em postagens online.

Início nas redes sociais e atuação atual

Durante a conversa, Cris Lauer compartilhou sua trajetória desde comunicadora até política. Relatou que sua atuação nas redes sociais começou durante a pandemia de Covid-19 devido ao fechamento forçado do comércio local pelos decretos da gestão Ulisses Maia.

Como apresentadora voltada para vendas e negócios, sentiu diretamente os impactos das restrições durante essa fase. Seu primeiro vídeo expressando descontentamento viralizou muito mais do que suas publicações habituais comerciais – isso impulsionou uma série com mais de oitenta vídeos cobrando ações públicas naquele ano.

Atualmente, Cris Lauer continua sua carreira política como assessora parlamentar do deputado estadual Fábio Oliveira (Podemos) na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), coordenando demandas da região maringaense enquanto mantém sua presença digital ativa nas redes sociais.

O cargo deixado vago por ela na Câmara Municipal agora é ocupado pelo primeiro suplente do Partido Novo, vereador José Carlos Pacífico (Professor Pacífico). A ex-vereadora elogiou o trabalho realizado pelo sucessor ao manter ativa a equipe jurídica e social estabelecida anteriormente em seu gabinete.

Expectativas para o futuro

A defesa da ex-vereadora confia em um recurso judicial fundamentado em afirmações feitas por um promotor local sobre irregularidades no processo legislativo contra ela. Com esse respaldo legal, Lauer espera reaver seus direitos políticos antes do período máximo estipulado pela legislação eleitoral, que é de onze anos.

“Estamos apelando ao Tribunal de Justiça com base num parecer emitido pela própria promotoria apontando falsificações no processo de cassação. O promotor inclusive recorreu contra uma decisão anterior proferida pelo juiz local. Tenho fé na reversão desse quadro; pretendo voltar à política com foco na disputa pela Prefeitura de Maringá”, concluiu.

Informações adicionais

O episódio completo dessa entrevista pode ser assistido no canal oficial do YouTube do Ponto a Ponto. Ao longo desta semana, outras matérias relacionadas serão publicadas no portal baseadas nas declarações feitas por Cris Lauer durante a gravação; diversos cortes também estarão disponíveis nas plataformas Youtube, Instagram, Facebook e Tik Tok.

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By Balcão da Notícia

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