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Neste fim de semana, as produtoras Beleza Maravilha Filmes e Chinelo à Milanesa estão representando Maringá no festival internacional de cinema Olhar de Cinema 2026, que ocorre em Curitiba. As obras apresentadas são A Holandesinha, produzida pela Beleza Maravilha, e Enluarada, da Chinelo à Milanesa. Embora cada filme possua características e propostas únicas, ambos refletem a vibrante fase criativa que o audiovisual maringaense está atravessando.
A atual edição do festival teve início ontem (04) e seguirá até 13 de junho.
Enluarada
O curta Enluarada convida o espectador a uma viagem pelo subconsciente, utilizando imagens para expressar emoções como angústia e tumulto emocional, além da busca por seguir em frente. O diretor Pedro Nascimento aposta em uma abordagem surrealista para adentrar o universo interior da protagonista Lucília.
De acordo com Nascimento, um dos aspectos mais significativos durante a criação do filme foi a colaboração em grupo: “Desde o início do projeto, sempre houve alguém ao meu lado. Nesse caso, foi a Naju Campos. Ela compartilhou um poema que escreveu sobre seus sentimentos. Juntos, enfrentamos o desafio de traduzir essas emoções em cinema.”
A interação colaborativa se refletiu em todas as fases da produção do filme, abrangendo figurinos, direção de arte, atuações, maquiagem e fotografia. “Em cada área envolvida, percebi uma forte conexão pessoal e intimidade na pesquisa e no trabalho de todos”, acrescenta o diretor.
A Holandesinha
A Holandesinha é um documentário que narra a trajetória de Luiza Godoi Acosta, uma jovem com Síndrome de Down que almeja ser cineasta. Ao produzir seu primeiro curta-metragem intitulado Lágrimas de um Pierrot, Luiza leva os espectadores através das diversas etapas do processo criativo.
O filme revela sua perspectiva sobre o mundo, os obstáculos enfrentados e as vitórias contra o capacitismo. A obra celebra a inclusão e reafirma o cinema como um espaço repleto de oportunidades, pertencimento e resiliência.
Luiza não apenas protagoniza a narrativa como também assume a direção do documentário. João Kowalski, co-diretor da obra, acredita que essa produção pode servir como um estímulo para que pais de pessoas com deficiência incentivem os sonhos de seus filhos.
“A inclusão acontece não só na frente das câmeras, mas também atrás delas. Luiza está realizando seu sonho de ser cineasta com grande talento. Temos certeza de que isso pode motivar muitos pais a deixarem de lado a ideia de que seus filhos não podem alcançar seus objetivos. Eles podem sim!”, ressalta o diretor.
Atualmente, Luiza está aproveitando o Festival e se sente realizada ao ver seu trabalho reconhecido em um dos principais eventos independentes do cinema brasileiro. Além disso, ela enfatiza que outras pessoas com deficiência também têm potencial para realizar seus sonhos. Confira sua mensagem enviada ao Maringá Post:
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Cenário audiovisual
Pedro Nascimento observa que ainda é desafiador produzir cinema em Maringá sem depender de outras fontes financeiras, como publicidade.
Ele aponta que a diminuição no número de editais disponíveis em relação a 2024 — quando iniciativas como a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) impulsionaram bastante o setor — torna mais difícil a realização de novos projetos audiovisuais.
O diretor menciona ter várias ideias promissoras em mente, mas ressalta que elas ainda aguardam aprovação e investimento para serem concretizadas.
Diversidade entre cineastas
Embora ambos os filmes sejam exibidos no mesmo festival representando Maringá, Enluarada e A Holandesinha foram realizados por equipes distintas e abordam questões diferentes.
Para Pedro Nascimento, essa diversidade é vital para fortalecer o cenário audiovisual local ao ampliar as possibilidades temáticas e narrativas além dos públicos alcançados. Isso também facilita conexões entre produtores e contribui para o desenvolvimento do setor cinematográfico.
“Nosso objetivo é transformar Maringá de uma mera produtora de conteúdo para uma indústria cinematográfica autossustentável”, afirma ele.
João Kowalski concorda com essa visão: segundo ele, a participação no festival já gerou novas oportunidades profissionais e maior visibilidade para futuras produções maringaenses.
Pedro expressa entusiasmo pela presença das duas produções no evento:
“Eu sou clubista regionalista; estou torcendo por Maringá em geral”, brinca ele.
Exibições em Maringá
Ambos os diretores manifestaram interesse em realizar novas exibições dos filmes em Maringá.
Pedro Nascimento está atualmente organizando as datas para as próximas sessões do curta Enluarada, enquanto João Kowalski confirmou uma exibição de A Holandesinha para 20 de junho com sessões matinais no Cineflix e posteriormente no Cine UEM.
Antes disso, no dia 15 de junho, Beleza Maravilha Filmes promoverá uma mostra especial na cidade natal de Luiza Godoi Acosta: Apucarana.
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