Médicos contam com apoio da Inteligência Artificial para diagnósticos mais precisos e eficientes

Nos últimos anos, os avanços da Inteligência Artificial (IA) se tornaram significativos, sobretudo pela possibilidade de uso no dia a dia, de pessoas comuns, para tarefas cotidianas. O que antes era tido como uma ferramenta voltada para profissionais da área da ciência e da tecnologia, hoje, expandiu-se e pode ser acessada mesmo pelo celular, a poucos toques.

Criar imagens, vídeos, textos, músicas e até mesmo documentos. Analisar resultados de exames ou utilizar a IA como “terapeuta”. São algumas das atribuições mais requisitadas das ferramentas de inteligência artificial nos dias atuais.

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REGULAMENTAÇÃO NA ÁREA DE SAÚDE

Sistemas de IA já podem ser percebidos sendo usados em empresas, para realizar serviços de atendimento ao consumidor, agendamentos e pagamentos. Em áreas mais complexas como a Medicina, as ferramentas de inteligência artificial também já estão se integrando, como na realização de cirurgias robóticas ou análises de exames.

Recentemente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução que regulamenta o uso da IA na profissão no Brasil. O documento estabelece normas para a pesquisa, o desenvolvimento, a governança, a auditoria, o monitoramento, a capacitação e o uso responsável de soluções que adotem modelos, sistemas e aplicações de Inteligência Artificial (IA) na área da Medicina, com o objetivo de promover o desenvolvimento tecnológico e a eficiência dos serviços médicos de modo seguro, transparente, isonômico e ético, em benefício dos pacientes e com estrita observância de seus direitos fundamentais.

A PRÁTICA MÉDICA E O USO DA IA

O Maringá Post conversou com o médico cardiologista Kleber Ribeiro Melo, membro do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), sobre o uso da inteligência artificial nas práticas médicas. À reportagem, Melo afirmou que a utilização da IA já é uma realidade e é recomendada.

“Atualmente, o uso da IA é recomendado. O Conselho Federal, inclusive, estabeleceu prazos para a instalação de comitês institucionais. Se um hospital deseja implementar a IA em exames de imagem, robótica ou diagnósticos, precisa ter um comitê médico com conhecimento técnico para que a ferramenta auxilie, de fato, no tratamento”, afirmou o médico.

Melo ressalta que o uso de ferramentas de IA vêm crescendo junto à classe médica e que, aliado a este crescimento, houve a necessidade da regulamentação pelo CFM – um trabalho que levou cerca de um ano e meio entre debates, propostas e formulações do documento regulatório.

“Atualmente, a IA na Medicina segue as diretrizes da Resolução CFM 2454/2026, a primeira regulamentação brasileira sobre o assunto. Ela orienta que o médico utilize apenas ferramentas validadas por comitês internacionais, garantindo que a tecnologia atue como um suporte ético e eficiente. A IA deve ser vista como um braço direito para diagnósticos mais ágeis, sempre com foco no bem-estar do paciente”, explica.

A DECISÃODO PROFISSIONAL É SOBERANA: A IA E O FATOR HUMANO

Mesmo com a recomendação do uso da IA, a prática médica deve sempre se pautar pelo fator humano: o médico sempre será soberano nas decisões dele, a partir da experiência e da praxis. O cardiologista destaca que a inteligência artificial é bem-vinda, mas como uma ferramenta de apoio.

“Existe uma máxima na Medicina: a clínica é soberana. Isso significa que, apesar de todas as novas ferramentas e da IA, o raciocínio clínico do médico permanece central. O profissional deve continuar ouvindo o paciente e realizando a anamnese; a tecnologia é apenas um suporte. A inteligência artificial vem para auxiliar, jamais para substituir o pensamento humano ou assumir a responsabilidade do médico, que continua sendo o gestor total desse conhecimento”, afirma.

Melo sinaliza que as novas tecnologias tem auxiliado em praticamente todas as especialidades da Medicina. No dia a dia, o próprio cardiologista recorre à IA para entender, de maneira mais ágil, queixas de pacientes.

“A inteligência artificial tem sido um auxílio poderoso em todas as especialidades. Na Cardiologia, por exemplo, ela me ajuda a compreender queixas que fogem da minha área, como questões metabólicas ou neurológicas, de forma muito mais rápida. Na verdade, sempre consultamos a literatura científica; a diferença é que a IA faz em segundos o rastreamento de artigos que levaríamos um dia inteiro para localizar em livros. Ela não substitui a experiência que adquirimos ao longo da vida, mas acelera o desfecho do diagnóstico e a instituição do tratatamento”, ressalta.

A tecnologia é, muitas vezes, uma facilitadora. Torna processos que seriam morosos e complexos em rápidos e dinâmicos. Depois da pandemia do Coronavírus, percebemos o crescimento da telemedicina. Hoje, com este recurso, pacientes – de sistemas de saúde público ou privado – podem se consultar de qualquer parte do mundo ou mesmo sem sair de casa, mas o médico destaca que a relação médico-paciente é essencial.

“O médico sempre será indispensável, pois ferramentas como a IA não têm empatia ou emoção. Sem esse lado humano, perde-se a oportunidade de gerar um benefício maior ao paciente. Embora a inteligência artificial tenha uma capacidade de processamento de dados vasta e rápida – sendo muito útil na telemedicina -, ela tem limites. O que o paciente relata à distância ajuda, mas o que precisamos ver, tocar e apalpar ainda exige a presença física do médico ao lado do paciente”, comenta.

O IMPACTO NO MERCADO DE TRABALHO

Quando se fala de IA, muito se discute sobre o impacto da ferramenta e da substituição de mão-de-obra pelas novas tecnologias. Em algumas áreas isso já é uma realidade. Na Medicina, pode vir a ser também. É o que afirma o cardiologista, que é categórico ao reforçar que equipes que antes eram numerosas, podem ser reduzidas a partir do avanço das IAs.

“A inteligência artificial já é uma realidade em áreas como a radiologia, auxiliando o médicos a identificar detalhes que poderiam passar despercebidos em uma tomografia ou ressonância. Com essa capacidade de rastreio superior, é possível que, com o tempo, a demanda por um grande volume de profissionais diminua. A IA consegue realizar o processamento de dados que dezenas de médicos seriam necessários; isso não significa que a especialidade deixará de existir, mas que um único profissional, munido dessa ferramenta, poderá realizar o trabalho que antes exigia uma equipe numerosa”, diz.

PACIENTE X

By Balcão da Notícia

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