Copa 2026 impulsiona paixão por figurinhas em Maringá, com grupo de colecionadores superando 8 mil membros

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

A fervorosa paixão pelo álbum da Copa do Mundo continua forte em Maringá, especialmente com a proximidade do lançamento oficial da edição de 2026, agendado para o dia 1º de maio, nas bancas de todo o Brasil. Na cidade, um grupo dedicado à troca de figurinhas já atrai milhares de pessoas, consolidando-se como uma das maiores comunidades do país focadas nesse hobby.

O grupo MGA Figurinhas foi criado com a intenção de reunir colecionadores e facilitar o preenchimento do álbum, contando atualmente com mais de 8 mil membros nas redes sociais. A comunidade já planeja diversas ações para receber a nova coleção.

Davi Jobim Santos, que é o fundador e administrador do grupo, ressalta que a proposta vai além da simples coleta de figurinhas.

“A ideia surgiu ao notarmos que Maringá tem um forte senso de comunidade e união familiar. A Copa do Mundo é um dos raros eventos que consegue unir pessoas tão diferentes: os mais velhos, jovens, pais e filhos”, compartilhou.

Ele enfatiza que durante a competição as diferenças são deixadas de lado em prol do sentimento coletivo.

“Nesse período, não há espaço para política ou outras divisões. É um momento em que todos se reúnem em torno de um sentimento nacional. Enquanto torcem pela Seleção Brasileira e tentam completar seus álbuns, essa união se fortalece”, completou.

Movimento que cresce a cada Copa

Davi menciona que o projeto teve início em edições anteriores e vem se fortalecendo a cada Mundial. Ele destaca a participação ativa da comunidade nas Copas de 2018 e 2022 e agora está se preparando para sua terceira edição consecutiva em 2026.

“Iniciamos esse movimento enquanto morávamos em Juiz de Fora, Minas Gerais. Depois nos mudamos para Maringá, onde estamos há quase três anos.”

As trocas organizadas pelo grupo ocorrem somente durante os anos das Copas do Mundo. O objetivo é transformar Maringá em um ponto de referência nacional no segmento.

“Estamos aqui para criar a maior comunidade de troca de figurinhas na cidade. Isso será algo inédito.”

Apesar da sua recente formação, o grupo já conseguiu estabelecer laços significativos entre os integrantes e um forte engajamento.

“As pessoas se respeitam e interagem trocando figurinhas. Já surgiram várias amizades através do grupo. Temos uma diversidade enorme: crianças, adultos, pais, mães, tios e avós.”

Ponto de encontro já tem data

Para celebrar o lançamento da nova coleção, os organizadores planejam um encontro presencial no dia 1º de maio no Shopping Avenida Center em Maringá.

A expectativa é alta entre os participantes devido à magnitude sem precedentes da próxima Copa do Mundo, que contará com a participação de 48 seleções e será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. Este evento será o maior da história do torneio, ampliando-se em relação às edições passadas que contavam com apenas 32 equipes.

“As expectativas são elevadas para este ano. São muitas seleções participando pela primeira vez. Acredito que o álbum será incrível e também desafiador para completar”, comentou Davi.

Coleção maior e mais cara

A Panini Brasil deu início à pré-venda do álbum oficial da Copa de 2026 no mês passado. O pacote terá um custo de R$ 7 com sete figurinhas incluídas. O álbum custará entre R$ 24,90 e R$ 79,90; além disso, haverá uma edição premium por R$ 359,90. A nova coleção contará com impressionantes 980 figurinhas distribuídas em 112 páginas, tornando-se a maior já lançada pela editora — comparativamente à última edição que tinha apenas 670 cromos.

No aspecto prático, completar o álbum exigirá um investimento considerável dos torcedores. Mesmo sem repetidas figurinhas através das trocas entre colecionadores, os gastos podem ultrapassar R$ 1 mil. Nesse contexto, Fernando Bayer iniciou sua jornada como colecionador em 2022 a pedido da filha. Para ele, essa tradição tornou-se uma maneira especial de criar memórias familiares.

“Comecei por causa da minha filha que tinha apenas oito anos na época. Muitos colegas dela estavam colecionando e ela insistiu muito até conseguir me convencer a comprar as figurinhas.”

Atualmente ele mantém o álbum completo da última Copa junto com algumas figurinhas sobrando.

“A quantidade aumentou bastante e como esperado aqui no Brasil, os preços subiram consideravelmente. Isso pode levar muitas pessoas a desistirem de completar seu álbum em 2026.”

Emoção que passa de geração em geração

Fernando destaca que o principal atrativo vai muito além das figuras coletadas; trata-se do momento compartilhado em família.

“A alegria dos filhos ao completarem um álbum é algo emocionante. Cada envelope aberto traz diversão.”

Ele confirma sua participação nas trocas este ano: “Com certeza estaremos envolvidos nas trocas até conseguirmos preencher nosso álbum ao máximo”, acrescenta.

Davi Jobim acredita que a persistência das figurinhas ainda atrai tanto público mesmo na era digital devido ao valor emocional associado à memória afetiva presente na cultura brasileira.

“O álbum da Copa ainda ressoa entre os adultos como antes porque está vinculado às suas memórias”, afirma ele.

Ele argumenta que essa tradição possui um peso emocional insubstituível pela tecnologia moderna.

“Por mais que existam opções digitais hoje em dia, existe uma conexão emocional que não pode ser comprada. Não me sentiria satisfeito completando um álbum online; certas coisas estão profundamente enraizadas na cultura brasileira e esse álbum é definitivamente uma delas”, conclui Davi.

Neymar, Vinicius Júnior e as figurinhas disputadas

A ausência inicial de Neymar na divulgação do álbum gerou muitos comentários entre os colecionadores. Para Davi, o jogador ainda simboliza muito para o Brasil no cenário internacional.

“Fiquei desapontado com a ausência dele; atualmente não temos outro jogador tão emblemático quanto ele no Brasil,” observa Davi.

Nesta edição específica, ele acredita que Vinicius Júnior deverá ser uma das figurinhas mais procuradas: “Eu acho que vai ser muito valorizada”, diz ele sobre Vinicius Júnior.

Memória afetiva de 2006

Davi relembra com carinho sua experiência na Copa mais significativa para ele: a edição de 2006 quando completou seu primeiro álbum.

“Foi quando completei meu primeiro álbum e acompanhava cada jogador retratado nas figurinhas; isso me marcou muito”, recorda ele.

E ele sintetiza seu sentimento sobre colecionar:

“Trocar figurinhas representa a emoção da conquista completa — é viver intensamente cada momento junto ao time.”

By Balcão da Notícia

Deixe um comentário

Related Posts