Twitter fecha acordo de cooperação com grupo de investidores e mantém Jack Dorsey como presidente

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Empresa passará por mudanças no conselho e iniciará programa de recompra de ações. Elliott Management, conhecido grupo investidor ‘ativista’, comprou participação de 4% na rede social.

Sede do Twitter em São Francisco, nos EUA. — Foto: Jeff Chiu/AP

Sede do Twitter em São Francisco, nos EUA. — Foto: Jeff Chiu/AP

O Twitter anunciou nesta segunda-feira (9) que fechou um acordo de cooperação com o grupo investidor Elliott Management e com o fundo Silver Lake, especializado no setor de tecnologia. Com o consenso entre a empresa e os investidores, o atual presidente executivo, Jack Dorsey, está mantido no cargo.

Na semana passada, após a notícia de que o Elliott havia comprado parcela de 4% do Twitter, estava fazendo pressão para retirar Jack Dorsey da direção. Dorsey é um executivo pouco convencional, que divide o tempo à frente da rede social com a Square, uma empresa de serviços financeiros também fundada por ele.

Desde que ele retornou à presidência do Twitter, em 2015, a empresa tem tido poucos ganhos para investidores, com uma alta de 16% no valor das ações, abaixo de outras companhias no mercado de publicidade digital. Google e Facebook, por exemplo, tiveram ganhos bem mais expressivos nesses quase 5 anos e, pelo menos, dobraram de valor.

Evolução do valor das ações de Twitter e Facebook nos últimos 5 anos. — Foto: Guilherme Pinheiro/G1
Evolução do valor das ações de Twitter e Facebook nos últimos 5 anos. — Foto: Guilherme Pinheiro/G1

O acordo desta segunda prevê que o fundo Silver Lake fará um aporte de US$ 1 bilhão na empresa, e que três novos nomes serão indicados para o conselho do Twitter. Esse investimento será usado, junto do caixa da rede social, para financiar um programa de US$ 2 bilhões para recompra de ações da empresa.

Entre os nomes que farão parte do conselho estão Jesse Cohn, um dos diretores da Elliott Management nos EUA, e Egon Durban, co-presidente do fundo Silver Lake. Um terceiro nome independente, que “reflita a diversidade do Twitter e com conhecimento profundo em tecnologia e inteligência artificial” está sendo procurado.

Cohn e Durban irão, ainda, fazer parte de um novo comitê, criado pelo acordo, para examinar a estrutura de liderança do Twitter, inclusive a atuação do próprio Dorsey. Os resultados serão divulgados até o final do ano. O comitê será liderado por Patrick Pichette, atual membro do conselho.

“Nós acolhemos o suporte de Egon e Jesse e estamos ansiosos pelas contribuições positivas deles, enquanto continuamos a construir um serviço que entrega valor a consumidores e acionistas”, disse Jack Dorsey em comunicado divulgado pelo Twitter.

Grupo ‘ativista’

O grupo Elliott Management é famoso por ser “ativista” em seus investimentos, levando empresas à substituição de executivos e a mudanças no conselho, com pressões para elevar o preço das ações.

Liderado pelo bilionário Paul Singer, o Elliott adquiriu recentemente uma uma fatia de 4% no Twitter (o equivalente a US$ 1bilhão), o que garantiu poder dentro da estrutura da empresa, permitindo a indicação de membros para o conselho da rede social.

Paul Singer, investidor à frente da Elliott Management — Foto: Mike Blake/Reuters

Singer já foi descrito na imprensa americana como o “investidor mais temido do mundo” e também é um conhecido apoiador do Partido Republicano nos EUA — ele investiu milhões na campanha de Mitt Romney em 2012 e na de Marco Rubio em 2016.

Jesse Cohn, o diretor da Elliott que terá uma cadeira no conselho do Twitter, é tido com braço direito de Singer.

A atuação de grupos investidores ativistas é mais comum nos EUA. Esse tipo de fundo busca empresas que não estão operando com máxima eficiência e adquire uma parcela da companhia, fazendo pressão para elevar o preço das ações e mudanças no corpo de executivos.

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