Opinião: sétima troca de técnico em 13 meses de gestão expõe falta de convicção da diretoria da Ponte

Mazola, ainda que trabalho tivesse problemas, foi mais uma vítima do ciclo vicioso na Macaca

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Independentemente do treinador que assumir a Ponte Preta (Gilson Kleina é o favorito), a palavra “projeto” deveria ser proibida na entrevista de apresentação.

Seria um desaforo – e uma total incompatibilidade com a realidade de quem vai para a sétima troca no comando em 13 meses de gestão.

Não existe projeto na Ponte. Nem convicção nas escolhas. A saída de Mazola reforçou a sina do time de não terminar o Campeonato Paulista com o mesmo técnico que começou. A última vez foi em 2015, com Guto Ferreira. A atual administração não pode responder por todas as mudanças de lá para cá, mas já deu sua contribuição efetiva para números nada positivos.

Desde que José Armando Abdalla virou presidente, em janeiro de 2018, já passaram pelo Majestoso seis nomes dos mais variados estilos de trabalho e personalidade: Eduardo Baptista, João Brigatti (duas vezes), Doriva, Marcelo Chamusca, Gilson Kleina (duas vezes?) e Mazola.

Dá uma média de 65 dias para cada treinador. Mazola, por exemplo, entrou para a estatística exatamente dois meses depois de ser anunciado. Foram apenas cinco jogos oficiais à frente da Ponte Preta – assim como já havia acontecido com Marcelo Chamusca no ano passado.

Como avaliar alguém em um tempo tão curto assim? Se espera-se tanto de quem fica à beira do campo, as condições oferecidas são proporcionais à cobrança por resultados?

A Ponte vive em constante turbulência política e lida frequentemente com a dificuldade financeira. Achar que essas situações não influenciam no que acontece dentro de campo seria alienação. Tudo faz parte de um contexto.

Ainda que o trabalho de Mazola tivesse problemas, com o início irregular de Paulistão e sem perspectiva, ele foi vítima do ciclo vicioso que tomou conta da Ponte. Mazola chegou, entre outros motivos, pelo conhecimento na Série B – tratada sempre como prioridade no clube -, mas deixou o cargo três meses antes do começo.

A montagem do elenco foi equilibrada e elogiada por muitos, incluindo Mazola (e eu também), passando a sensação que 2019 poderia ser diferente na Ponte. Sensação que se dissipou com a demissão de Mazola.

Mesmo que internamente a demissão fosse considerada inevitável, a Ponte perdeu dois dias para tomar a decisão e praticamente jogou fora a primeira semana livre de trabalho desde o começo do Paulistão. O mesmo vale para o planejamento (?) dos últimos dois meses. Ou dos últimos anos.

A Ponte regrediu de maneira assustadora desde o rebaixamento à Série B, em 2017 – em todos os aspectos. Um exemplo é a ausência de um diretor de futebol estatutário há quase um ano, com outros profissionais acumulando funções desde o desligamento de Ronaldão. E assim a Ponte também vai acumulando uma queda – de técnico e de patamar – atrás da outra.

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