Felipe Bernardi Capistrano Diniz ajuda a selar destino de Eduardo Cunha

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Eduardo Cunha foi presidente da Câmara dos Deputados de 1º de fevereiro de 2015 até renunciar ao cargo em 7 de julho de 2016. É unanimidade entre congressistas e analistas políticos que foi o presidente mais forte da Casa até hoje. A começar por sua eleição, derrotando candidato com apoio do Palácio do Planalto. Impôs uma enorme derrota ao governo, vencendo no 1º turno.

Também é notório o conhecimento que detinha sobre o regimento interno da Casa e de como controlou o andamento dos processos legislativos. Sua força era creditada à sua capacidade de atender aos colegas parlamentares. Porém, a Lava Jato provou que sua atuação era baseada na compra dos colegas mediante entrega de dinheiro e no acúmulo de riqueza de forma ilícita.

O cerco começou a se fechar para Eduardo Cunha e ele usou de todo seu cacife político para impedir qualquer desfecho que lhe fora desfavorável. Foi uma luta hercúlea, onde por mais que os investigadores apresentassem evidências de crimes cometidos, seu pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados permanecia paralisado.

Porém Cunha não contava com a força da Lava Jato. Nesta época, com 2 anos de operação, ela ainda não havia produzido grandes resultados contra políticos (Marcelo Odebrecht, um dos maiores empresários do país já havia sido preso, por não ser detentor de foro privilegiado, e era o maior feito da Lava Jato até então).

Em 3 de março de 2016, o STF acolheu por dez votos a zero, em unanimidade, a denúncia da Procuradoria Geral da República contra Eduardo Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tornando-o réu neste tribunal. Em 5 de maio de 2016, o plenário do STF unanimemente manteve a decisão do então ministro Teori Zavascki que determinou o afastamento de Cunha de seu mandato de deputado federal e consequentemente do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados.

Logo depois, e é bom que se frise que apenas depois da Justiça afastar Cunha de seu mandato, a Câmara dos Deputados abriu processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, em 12 de setembro de 2016.

Todos acompanhavam de perto o desenrolar da situação, pois com a perda do mandato, seu processo iria para a 1º instância. E precisamente para as mãos do juiz Sérgio Moro. É sabido que as ações na 1º instância tramitam mais rapidamente do que as que estão no STF e de quão pesada tem sido a caneta do juiz Moro, responsável pelos inquéritos derivados de crimes cometidos contra a Petrobras.

E é nesse momento que surge Felipe Bernardi Capistrano Diniz. Apesar de ser formado em Economia e de ser nascido no mês de setembro, assim como Eduardo Cunha, as semelhanças param por aí. Felipe teve a oportunidade de concorrer à vaga de deputado, após o falecimento de seu pai, porém descartou sem pestanejar. Justamente por ser filho de político, nunca almejou a profissão do pai.

Em 19 de outubro de 2016 Cunha foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Fora acusado de receber propina em conta secreta na Suíça. Em sua defesa, alegou que se tratava de devolução de empréstimo que havia concedido, anos antes, ao ex deputado Fernando Alberto Diniz, pai de Felipe. E que teria sido Felipe Bernardi quem depositou em sua conta, a título de devolução do empréstimo tomado pelo pai.

Essa história não convenceu aos procuradores, uma vez que Eduardo não apresentou contrato de mútuo. Quem em sã consciência empresta um milhão e quinhentos mil dólares sem se resguardar através de contrato, para posterior cobrança? Eduardo disse não ter tido contrato pois não cobraria juros. Outro ponto da história difícil de ser digerido. Pressupõe-se que um empréstimo para ser devolvido anos depois deverá haver incidência de, minimamente, correção monetária. Para não pairar dúvidas, Felipe foi chamado a prestar depoimento. Disse ele desconhecer qualquer negócio entre seu pai e Cunha. Negou ter feito devolução de qualquer espécie e ainda ressaltou que se esse dinheiro fosse do pai, o teria utilizado em prol da família ao invés de quitar o mútuo se por hipótese tivesse ocorrido.

Com base nisto, e outras evidências carreadas no processo, especula-se que Eduardo Cunha não escapará de uma condenação. E sendo assim, continuará preso. A conferir!

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